O Coletivo Cannabis Medicinal Volta Redonda – Volta Cannabis, foi fundado por um grupo de 6 pessoas e hoje já conta com 112 associados. Luiz Gustavo, o presidente do coletivo, conversou com o Ganja Talks e nos contou sobre a luta até a conquista do direito.

GT: Como surgiu o Volta Cannabis?

Luiz Gustavo: O Volta Cannabis surgiu devido a minha dificuldade de encontrar acesso ao tratamento para dore crônicas, utilizando a Cannabis como ferramenta terapêutica e também devido à escassez de informações sobre o tema “uso terapêutico da Cannabis”, disponível na cidade de Volta Redonda. A partir daí, comecei a buscar por pessoas interessadas em formar uma associação, com o intuito de democratizar o acesso ao tratamento e a informação, sobre os possíveis usos da Cannabis como ferramenta terapêutica e com a ajuda do Padre Ticão, que é o idealizador do Curso Sobre Cannabis Medicinal, certificado pela UNIFESP, conseguimos formular nosso estatuto social e realizar a Assembleia de Fundação do Volta Cannabis, no dia 28 de agosto de 2020.

GT: Quais as principais barreiras que vocês encontraram pelo caminho?

Luiz Gustavo: Dentre as maiores dificuldades encontradas até o momento estão a de contribuição espontânea para a realização de trabalhos internos da associação; a financeira, para que possamos arcar com despesas cartorárias, aluguel, dentre outros; e a de viabilização do tratamento utilizando a Cannabis como ferramenta terapêutica, para nossos associados.

GT: Como funciona a associação e o que o leitor precisa fazer para se tornar um associado?

Luiz Gustavo: O Coletivo Cannabis Medicinal Volta Redonda – Volta Cannabis é uma associação beneficente e sem fins lucrativos, que busca prover acolhimento; assessoria jurídica; conteúdo educacional, baseado na ciência, sobre o uso da Cannabis como ferramenta terapêutica, Saúde, Meio Ambiente, Direitos Humanos, Atividades Físicas, Alimentação e Cultura; e uma melhor qualidade de vida para seus associados, através de parcerias com profissionais da saúde capacitados para acompanhar o tratamento utilizando a Cannabis como ferramenta terapêutica e de advogados, que buscam garantir os direitos dessas pessoas, através de instrumentos jurídicos, dentre eles Habeas Corpus preventivo para cultivo doméstico de Cannabis com finalidade terapêutica e ação de obrigação de fazer, para que o município, estado, união, ou planos de saúde, custeiem o tratamento dessas pessoas. Para se associar, basta entrar em contato com nossa equipe de acolhimento através do nosso WhatsApp 24993052042 , do Instagram @VoltaCannabis , ou do nosso site www.voltacannabis.org

GT: E como foi o processo para a conquista do tratamento de cannabis medicinal pelo SUS de Volta Redonda?

Luiz Gustavo: Tudo começou quando foi anunciada a 1° Marcha da Maconha a ser realizada na cidade de Volta Redonda. Alguns vereadores da cidade se posicionaram contrários a realização da Marcha, disseram que fariam de tudo para impedir a realização da mesma e até conseguiram articular uma nota de repúdio aprovada na Comissão de Constituição e Justiça, da Câmara dos Deputados.

Me dirigi a Câmara Municipal de Volta Redonda, em horário de sessão, e entreguei para o então Presidente Sidney Dinho, um ofício de apoio a realização da Marcha da Maconha de Volta Redonda, emitido pelo Volta Cannabis e também o ADPF 187/DF, que é uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que garante que a realização das Marchas da Maconha é um direito constitucional. O Presidente se manteve contrário à realização da Marcha, porém disse que apoiaria caso fosse para falarmos do uso terapêutico da Maconha. Então, solicitei ao Presidente que fosse realizada uma audiência pública para debatermos sobre esse tema.

Logo após, entramos em contato com o Vereador Paulinho AP – propositor do Projeto de Lei que buscava viabilizar o tratamento à base de Cannabis pelo SUS (Sistema Único de Saúde) de Volta Redonda e que se encontrava parado na Câmara – que se mostrou sensível ao tema e topou realizar a convocação da Audiência Pública para debatermos sobre uso terapêutico da Cannabis e a implantação do tratamento no SUS de Volta Redonda. A Audiência foi realizada no dia 14 de setembro de 2022, na Câmara Municipal de Volta Redonda e resultou na apreciação do PL da Cannabis de Volta Redonda e aprovação da Lei Municipal n° 6.085 de 26 de outubro de 2022. A Marcha da Maconha aconteceu, e foi linda, mas somente após muita pressão popular.

GT: Após essa decisão judicial favorável, quais serão os próximos passos?

Luz Gustavo: Cobrar o poder público para que a Lei seja cumprida; formalizar parcerias com a Prefeitura de Volta Redonda; ampliar nossos serviços; lutar na justiça pelo nosso direito de cultivar Cannabis para fornecermos o remédio que trata as mais diversas patologias e transtornos severos, para nossos associados; e ajudar cada vez mais pessoas.


O Coletivo Cannabis Medicinal Volta Redonda – Volta Cannabis é uma associação sem fins lucrativos e sem patrocinadores. Atualmente, as pessoas associadas ao Volta Cannabis contribuem anualmente com uma taxa de manutenção da associação. Mas você também pode colaborar com a causa através da lojinha no site da associação, comprando camisas, copos e mais. Faça parte da mudança!

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