Gustavo Petro, presidente da Colômbia recém-eleito, discursou na Assembleia Geral da ONU pedindo o fim da guerra às drogas.

(Imagem: reprodução CNN)

Em seu primeiro discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, na terça-feira (20/09), o recém-eleito presidente colombiano Gustavo Petro fez um discurso inflamado que lembrou alguns de seus temas de campanha, criticando a guerra às drogas como um fracasso e acusando o norte global de fechar os olhos para a destruição da Amazônia.

Abandonando a formalização que caracteriza a ONU, Petro comparou os perigos do vício das drogas ao “vício de poder irracional, lucro e dinheiro” da humanidade, o qual ele caracterizou como mais prejudicial.

“Para destruir as plantas de coca, jogam venenos, glifosato em massa que corre pelas águas, prendem e enjaulam os produtores. Por destruir ou para ter a folha de coca, morrem um milhão de latino-americanos assassinados e prendem milhares de negros na América do Norte. O que é mais venenoso para a humanidade: a cocaína, o carvão ou petróleo?”, questionou em seu discurso.

“A opinião do poder ordenou que a cocaína é veneno e deve ser perseguida, enquanto causa apenas mortes mínimas por overdose, muitas por resultado de misturas com outras substâncias. Mas, em vez disso, o carvão e o petróleo devem ser protegidos, mesmo quando podem extinguir toda a humanidade”, disse ele.

A Colômbia é o maior produtor mundial de cocaína e, nos últimos 50 anos, as autoridades públicas impulsionaram uma agenda proibicionista.

Porém, o narcotráfico e a guerra às drogas são os principais contribuintes para o conflito armado na Colômbia, de acordo com um relatório do país.

Petro, o primeiro presidente de esquerda da Colômbia, há muito tempo ridiculariza a guerra global contra as drogas como um fracasso. Inclusive, em seu discurso de posse, em agosto, pediu uma nova estratégia internacional para combater o narcotráfico.

Fim da guerra às drogas

Na Assembleia da ONU, Petro pediu que os países de toda a América Latina se juntem para acabar com a guerra às drogas.

“Da minha América Latina ferida, exijo que acabem com a guerra irracional às drogas”, disse Petro.

“Reduzir o uso de drogas não requer guerras”, disse ele. “Precisa de todos nós para construir uma sociedade melhor.”

Seu governo apresentou, recentemente, um projeto de lei para legalizar a maconha com fins recreativos no país. O uso medicinal já está legalizado desde 2016. O presidente também tem planos futuros de regulamentar a cocaína.

O presidente da Bolívia, Luis Arce, tem discutido com Petro sobre as políticas de drogas dos países.

Embora a Bolívia e a Colômbia enfrentem situações muito diferentes em termos de narcotráfico, Arce comentou que acha que Colômbia, Peru e Bolívia – os três maiores produtores de cocaína do mundo – devem alinhar seus critérios em relação à guerra às drogas.

A Bolívia já tem um próspero mercado legal de subprodutos de coca, principalmente folhas secas que são mastigadas pela população indígena, e os governos da Bolívia e da Colômbia já haviam pressionado por um repensar regional das políticas de drogas em reuniões multilaterais.

Destaca-se que os três governos são de esquerda e espera-se que haja uma nova abordagem para lidar com a questão das substâncias ilícitas nos países, que seja diferente do paradigma proibicionista.

Fontes: CNN e Reuters

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