Principalmente onde a erva já é legalizada, os consumidores acabam optando por strains que são mais potentes, ou seja, com maiores níveis de THC. Mas esse raciocínio precisa ser mudado.

No mercado legal da cannabis, flores que não testam acima de 20% de THC geralmente não são comercializadas em dispensários. Consumidores preferem buds com mais de 25% de THC e estão dispostos a pagar por isso.

Apesar da indústria canábica estar tentando educar os consumidores e budtenders sobre a importância dos terpenos e canabinóides menores, a maioria das pessoas ainda vê a potência da erva (entendida como maior porcentagem de THC) como o maior indicador de qualidade.

Porém, reduzir as propriedades da maconha aos níveis de THC ou até mesmo CBD é algo que precisa ser mudado, porque a experiência com a cannabis vai muito além disso.

“O sistema legal de cannabis está impulsionando essa alta porcentagem de THC e ignorando completamente todo o resto”, disse Kim Stuck, fundador da consultoria de cannabis Allay Consulting.

De acordo com dados do Canadá, “a potência do THC ainda é uma das principais considerações de compra” no país, comentou Tamy Chen, analista do Banco de Montreal.

“Atualmente na Europa, potência é sinônimo de qualidade”, disse Nick Pateras, diretor administrativo da Materia, empresa que possui uma unidade de produção de cannabis em Malta e uma licença de distribuição de maconha medicinal na Alemanha. “Existe uma correlação direta entre a porcentagem de THC de um produto e seu desempenho de vendas.”

Para resolver esse problema, Pateras disse que as empresas de maconha precisam explicar melhor como a qualidade vai além do THC e por que outros fatores são importantes nas decisões de compra.

Terpenos

Geralmente, no mercado legal, se você entrar em um dispensário e pedir uma flor que tenha, por exemplo, 15%-20% de THC, alto teor de terpeno limoneno e baixo teor de terpeno pineno, o budtender dificilmente vai sabe o que dizer.

Os budtenders, normalmente, vão te oferecer três opções: Sativa, Indica ou Híbrida para te ajudar a escolher a flor. Mas já sabemos que, na verdade, isso diz quase nada sobre a maconha que você está escolhendo.

“A única coisa que o consumidor sabe é que com THC mais alto, a flor deve ser o melhor”, acrescentou Kim. “Muitas pessoas ainda estão presas nesse mundo de quanto mais forte melhor.”

O maior problema é que as pessoas que são novas a esse universo não têm muita tolerância ao THC. Porém, ao irem a um dispensário, apenas encontrarão flores com altos níveis de THC e pode ser que não terão uma experiência muito boa, pelo fato da erva ser muito forte.

“O consumidor não é educado sobre nada disso”, comenta Kim. “Mesmo que sejam, eles entram em dispensários e pegam esses budtenders que não sabem o que estão fazendo.”

Mas a culpa não é toda deles. A questão é que ninguém está sendo educado sobre terpenos e canabinóides menores. Assim, a visão sobre a maconha fica reduzida à potência do THC.

Muitas legislações que legalizaram a cannabis não exigem testes para canabinóides e terpenos menores. Portanto, essas informações não estão amplamente disponíveis.

Mercado orientado para o consumidor

Outra parte do problema é que os ‘cannabusinesses’ (assim como a maioria dos negócios de outras áreas) funcionam de acordo com a preferência do consumidor.

O rastreamento de dados de compra do consumidor mostra que produtos de maior potência são mais atraentes para os consumidores, então os produtores tentam produzir mais disso.

Porém, o que leva a uma boa experiência vai muito além do que apenas alta potência.

Por exemplo, flores com níveis de THC mais baixos e um perfil de terpeno mais robusto proporciona uma experiência mais confortável.

Desmistificar a potência da erva está diretamente ligada a mudar a noção de que o maior benefício da maconha é chapar. Afinal, a cannabis proporciona muitos outros benefícios além desse, e esses benefícios são de fato aproveitados quando se considera todos os aspectos da planta.

É só você pensar que, na verdade, a combinação de canabinóides e perfis de terpeno de uma determinada strain pode oferecer sensações e alívios diferentes às pessoas. Assim, reduzir a maconha à porcentagem de THC é uma lógica que precisa ser mudada.

Como já mencionado, ao considerar a qualidade da ganja, canabinóides menores e terpenos têm um papel fundamental.

Para isso acontecer, principalmente no mercado legal, onde há rotulagem e controle de qualidade da maconha, é necessário que a indústria comece a fornecer essa informação aos dispensários, budtenders e consumidores.

Algumas empresas oferecem uma rotulagem bastante claro, detalhando dados sobre concentrações de canabinóides e terpenos. Mas muitas empresas se restringem a informar apenas o nome da cepa e nível de THC.

A solução para tudo isso é educar toda a cadeia legal da cannabis sobre o fato de que a combinação de terpenos, flavonóides e canabinóides é que vai garantir uma boa experiência.

“Ter uma melhor compreensão do que o canabinóide faz por você – e condicionar os consumidores a procurá-los versus apenas a potência – ajuda a treinar as expectativas do que eles vão obter da flor, do óleo ou do comestível”, disse ele.

Com essas informações, a tendência é que os consumidores passem a ter uma percepção mais ampla da maconha e se os consumidores começarem a mudar sua preferência por produtos e flores mais robustas (com informações completas), possivelmente toda a indústria vai mudar seu posicionamento, podendo oferecer cannabis que proporcione a melhor experiência.

Entender sobre a maconha é fundamental para os avanços da indústria legal. O propósito do Ganja Talks University é exatamente esse: educar as pessoas sobre diversos aspectos da erva. Apenas com informação de qualidade poderemos avançar.

Vem aprender sobre o universo canábico com especialistas da área!

Fonte: MJBizDaily

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