A luta pelo avanço do acesso à cannabis tem uma forte semelhança com o avanço dos direitos LGBTQIA+.

O evento mais marcante que relaciona a luta pela legalização da maconha com a luta da comunidade LGBTQIA+ é a legalização do uso medicinal na Califórnia, em 1996 (primeiro território do mundo a regulamentar a cannabis, ainda que apenas para uso medicinal).

Na década de 1980, a OMS declarou o vírus HIV como epidêmico, devido ao alto número de contágios. 

Os medicamentos para o HIV, disponibilizados no início da década de 1980, apresentavam efeitos colaterais graves e, às vezes, debilitantes.

A perda de apetite e de peso, além de dores, eram os sintomas mais comuns dos pacientes, que além de sofrer com a doença, também sofriam com o estigma associado ao HIV. 

À época, a AIDS (termo que se aplica aos estágios mais avançados da infecção pelo HIV) era errônea e amplamente associada aos homossexuais, principalmente por conta das formas de contágio.

Nesse cenário, na década de 1980, Mary Rathbun, voluntária de um hospital de São Francisco, Califórnia, entrou em cena com seus brownies de maconha para ajudar pacientes com AIDS.

Vendo o sofrimento dos pacientes, ”Brownie Mary”, como ficou conhecida, passou a oferecer brownies canábicos para tais pacientes. 

Eles diziam que os brownies ajudavam com as dores e a melhorar o apetite (bem como a perda de peso). Mary também ouviu que seus brownies ofereciam alívio para pacientes com câncer submetidos a tratamentos de quimioterapia.

Mesmo sendo presa três vezes, Mary continuou fazendo brownies para os pacientes.

Na mesma época, Dennis Peron, veterano da Força Aérea norte-americana e gay, vendia maconha em São Francisco e testemunhou como a erva ajudava a mitigar os efeitos adversos da AIDS.

No fim dos anos 1980, Peron perdeu seu parceiro devido a consequências da doença. Isso motivou sua luta pela legalização.

Dennis Peron se juntou a Brownie Mary, e os dois ativistas começaram a lutar pelo direito ao acesso da maconha para pacientes que sentiam alívio para suas condições.

Em 1991, Rathbun e Peron uniram forças para aprovar uma medida que tornaria a maconha para fins medicinais disponível em São Francisco e proteger os médicos de penalidades por prescrevê-la. A medida ficou conhecida como Propostion P e foi aprovada com quase 80% de apoio. 

A partir da Propostion P, cinco anos depois, em 1996, foi aprovada a Proposition 215, tornando a Califórnia o primeiro estado norte-americano a legalizar a maconha para fins medicinais. 

A aprovação desse projeto de lei histórico abriu precedentes, e Washington, Oregon e Alasca logo seguiram com a legalização da maconha para uso medicinal.

O ativismo de Rathbun e Peron, inclusive, chamou a atenção da comunidade médica, que começou a pesquisar os efeitos da cannabis no sistema imune de pacientes com AIDS.

Ativismos

A revista High Times convidou algumas pessoas dentro dos movimentos para comentar sobre a relação entre a luta pela legalização e pelos direitos da comunidade LGBTIA+.

“O movimento da cannabis é conhecido principalmente como uma questão progressista durante seus mais de oitenta anos de proibição, saindo das sombras no final dos anos setenta. Esta é uma história semelhante para indivíduos LGBTQ, com o movimento dos direitos gays realmente decolando na mesma época e ambos enfrentando um estigma pesado aos olhos do público”, escreveu Kyle Porter, presidente da CMW Media e membro da comunidade.

Porter acrescentou: “Para os indivíduos LGBTQ é comum perseverar sem o apoio da sociedade ou da lei, e essa tenacidade ajudou a emergente indústria legal de cannabis” – que ao longo dos anos de proibicionismo também nunca teve apoio da lei ou da sociedade.

“As pessoas LGBTQ são persistentes, simplesmente por enfrentarem desafios [ao longo] dos anos. A luta para legalizar a cannabis está alinhada com a persistência de levar uma causa adiante. Não é novo para esta comunidade, é esperado”, disse Celeste Miranda, hempreendedora e membra da comunidade LGBTQ.

Ambas as lutas continuam e têm avançado a cada dia, tanto a legalização, quanto os direitos da comunidade LGBTQIA+.

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