Muito tem se falado sobre o potencial das substâncias psicodélicas para a saúde mental.

Mas você sabe o mecanismo de ação dessas substâncias?

O uso recreativo de muitos alucinógenos continua sendo ilegal na maior parte dos países, reflexo da guerra às drogas.

Mas, os benefícios terapêuticos das substâncias psicodélicas estão sendo redescobertos por meio de novas pesquisas, colocando-as em pauta na medicina moderna.

A ciência agora está descobrindo que o uso dessas substâncias em ambientes clínicos pode ajudar a tratar várias condições, incluindo problemas de saúde mental, como ansiedade, Transtorno de Estresse Pós-Traumático e depressão.

Os alucinógenos, também chamados de psicodélicos, são um grupo diversificado de substâncias psicoativas que podem causar alucinações, anormalidades perceptivas, sensações dissociativas ou outras distorções profundas da realidade. Eles são frequentemente divididos em duas categorias – alucinógenos clássicos e drogas dissociativas.

Experiências sensoriais aumentadas de visão, som, tato e cheiro são mais prováveis ​​de ocorrer com alucinógenos clássicos.

As drogas dissociativas estão mais frequentemente ligadas a uma sensação de distanciamento da realidade.

Alucinógenos clássicos são:

Muitos especialistas também se referem à Ayahuasca e ao DMT como ”enteógenos”, mas esse termo faz referência ao uso ritualístico e espiritual dessas substâncias.

Drogas dissociativas incluem:

Como os alucinógenos clássicos funcionam

Acredita-se que os efeitos dos alucinógenos clássicos resultem das substâncias que atuam nos circuitos neurais do cérebro que usam o neurotransmissor serotonina.

A serotonina é um hormônio chave que estabiliza o humor, sentimentos de bem-estar e felicidade. Ele afeta todo o corpo, permitindo que as células cerebrais e outras células do sistema nervoso se comuniquem umas com as outras. Esse hormônio também nos ajuda a dormir, comer e digerir os alimentos.

Quando os compostos psicodélicos são consumidos, alguns dos efeitos mais significativos ocorrem no córtex pré-frontal (localizado na parte frontal do cérebro), responsável por uma ampla variedade de funções, como:

  • Concentrando a atenção
  • Prever as consequências de suas próprias ações
  • Controle de impulsos/gerenciamento de reações emocionais
  • Planejamento futuro
  • Definir e atingir metas

Como as substâncias dissociativas funcionam

Assim como os alucinógenos clássicos, as drogas dissociativas também agem no cérebro. Mas estas parecem interromper as ações de uma substância química do cérebro chamada glutamato em certos receptores nas células nervosas em todo o cérebro.

O glutamato é um neurotransmissor excitatório que influencia o sistema de recompensa. Desempenha um papel importante na aprendizagem, na memória e na percepção da dor. Além disso, algumas drogas dissociativas alteram a ação da dopamina, um neurotransmissor associado a sentimentos de euforia.

Pesquisadores viram resultados promissores em estudos testando essas terapias para o tratamento do transtorno depressivo maior; dependência de álcool, opióides e heroína; ansiedade e desesperança relacionadas ao câncer; e TEPT.

A profunda capacidade dos alucinógenos (tanto os clássicos, quanto os dissociativos) de tratar condições de saúde mental se explica pela capacidade das drogas de abrir a mente.

Isso permite que as pessoas enfrentem seus passados ​​dolorosos ou comportamentos autodestrutivos de uma perspectiva mais objetiva, com menos medo, vergonha ou até entorpecimento.

Além disso, ao influenciar nos neurotransmissores relacionados à felicidade, euforia e recompensa, essas substâncias (acompanhadas de terapia) permitem que o cérebro crie ”novos caminhos” e faça novas conexões, abandonando alguns padrões de pensamento negativos, que podem ser observados em casos de depressão, ansiedade, TEPT e dependência química, por exemplo.

O lado espiritual na terapia com alucinógenos

Existe uma crescente preocupação sobre os usos medicinais dos psicodélicos no contexto da psiquiatria que acabam ignorando o lado espiritual dessas substâncias.

Um estudo recente afirma que existe uma “necessidade do campo psicológico considerar um papel maior para a espiritualidade no contexto do tratamento convencional, porque o crescimento espiritual e uma conexão com algo maior do que o eu podem ser alcançados”.

O estudo descobriu que participantes que usaram psicodélicos experimentaram maiores níveis de espiritualidade e mais capacidade de gerenciar emoções como ansiedade e depressão. Ou seja, é importante trazer esse contexto espiritual para o tratamento com tais substâncias.

Além disso, claro, o tratamento com alucinógenos são eficazes quando combinados com psicoterapia. Portanto, para um resultado ainda melhor nesses tratamentos, é fundamental entender todas as dimensões dessas substâncias.

Fonte: Psychedelic Spotlight

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