O DMT é um composto orgânico encontrado em muitas plantas e, em menor quantidade, no sistema nervoso de humanos e outros mamíferos.

É conhecido por ser o princípio ativo da ayahuasca.

(Imagem: reprodução Com Ciência)

Quimicamente, o N,N-dimetiltriptamina (ou só dimetiltriptamina ou DMT) pertencente ao grupo das triptaminas, semelhante à serotonina, à melatonina e a outros neurotransmissores que afetam elementos centrais da experiência humana, incluindo humor e memória.

Como o LSD, o peiote, a psilocibina e a mescalina, o DMT é considerado um “psicodélico clássico”, o que significa que os seres humanos há muito experimentam suas propriedades psicotrópicas.

Há quem defenda que o DMT é um enteógeno, especialistas explicam que essa denominação surgiu depois da sua classificação como psicodélico. O termo é uma combinação entre entheos (literalmente, “Deus dentro”) e gen (“tornar-se”), remetendo àquilo que “gera o divino internamente”, buscando assim ressaltar o uso ritualístico/místico/espiritual dessas substâncias.

Porém, na comunidade científica, tem-se usado o termo ”psicodélico”.

“Todos os psicodélicos clássicos têm efeitos, inícios e durações de ação diferentes”, explica Roland Griffiths, professor de psiquiatria e neurociência na Universidade Johns Hopkins. “Mas todos eles compartilham um local principal de ação, que é o receptor de serotonina 2A.”

O DMT, como os outros psicodélicos clássicos, é um agonista do receptor de serotonina 2A, o que significa que ele se liga a esses receptores e induz mudanças neuroquímicas que alteram percepções sensoriais, processos cognitivos e outras funções cerebrais relacionadas à consciência.

O DMT também interage com uma variedade de outros receptores e vias. Uma pesquisa publicada na revista Nature Scientific Reports descobriu que esse psicodélico não apenas altera a química do cérebro, mas também muda a atividade elétrica do cérebro de maneiras que mapeiam as experiências psicodélicas das pessoas. Em outras palavras, a ”viagem” do usuário parece diretamente ligada a essas mudanças cerebrais.

Substância natural

Uma das coisas mais intrigantes sobre o DMT é que temos um pouco dele dentro de nós.

Existem algumas especulações que mostram que o DMT, de alguma forma, desempenha um papel nos sonhos ou experiências espirituais, embora não esteja claro por que ”carregamos” esse produto químico.

“Uma das ideias mais interessantes é que o DMT pode estar de alguma forma relacionado à morte e ao processo de morrer – que pode ser liberado na glândula pineal durante a morte”, afirma Alan Davis, professor e pesquisador da Ohio State University.

Algumas características comuns de experiências de quase morte – deixar o corpo, conectar-se com algum tipo de poder superior benevolente – parecem compartilhar atributos com ”viagens” de DMT.

“Alguns pesquisadores postulam que o DMT não cria alucinações, mas abre dimensões reais de contato que normalmente não podemos acessar”, disse Davis à Vice.

Embora existam muitas perguntas sem resposta sobre o DMT, parece inegável que ele oferece às pessoas uma experiência profunda.

Usos do DMT

O uso mais famoso do DMT é a partir do chá de ayahuasca, produzido a partir da combinação de ervas amazônicas como o cipó mariri (Banisteriopsis caapi) e a chacrona (Psychotria viridis). Essas duas plantas contém DMT.

Ao consumir através do chá, os efeitos podem demorar um pouco mais para ”bater” e a viagem pode durar horas.

Existe, também, o 5-MeO-DMT (5-metoxi-N,N-dimetiltriptamina ou O-metil-bufotenina), encontrado em uma ampla variedade de espécies de plantas e no sapo Bufo alvarius.

Também é possível fumar ou vaporizar o DMT, a partir das plantas que contém o alucinógeno. O DMT nessa forma de consumo é chamado de ”changa”, no Brasil. Muitas pessoas misturam com tabaco, kumbaya ou até mesmo maconha.

Nesse método de consumo, os efeitos podem ser sentidos instantaneamente e duram alguns minutos.

É possível, ainda, obter DMT de forma sintética em laboratório.

Efeitos

Sendo um alucinógeno, as sensações proporcionadas pelo DMT envolvem alterações sensoriais, principalmente visuais, e de consciência.

Geralmente, o DMT gera uma sensação de unidade ou conexão com outras coisas e com o universo. Algumas pessoas relatam uma completa dissolução do ego e completa unificação com Deus e o universo e tudo o que já existiu.

Muitas pessoas que usam Ayahuasca relatam essas experiências, embora muitas vezes em formas mais abstratas ou simbólicas.

Ação terapêutica

Muito tem se falado sobre os psicodélicos como divisores de águas na psiquiatria, principalmente para cuidar de diversas questões de saúde mental. O DMT faz parte dessa conversa.

“Muita depressão ou ansiedade é sobre se sentir desconectado ou sozinho ou isolado, ou não ter um lugar no mundo”, disse Davis. “Uma das principais características [do DMT] é essa conexão completa com o universo e a dissolução de todos esses pensamentos.”

Griffiths ajudou a conduzir vários estudos sobre a ação terapêutica dos psicodélicos – principalmente a psilocibina.

Para Vice, ele disse que o início rápido do DMT e a duração relativamente curta da viagem o tornam um candidato atraente do ponto de vista logístico: uma viagem de cogumelo pode durar oito horas ou mais, enquanto alguém pode experimentar o DMT no espaço de uma hora ou 90 minutos de sessão de terapia.

Ele também disse que, como outros psicodélicos, o DMT parece induzir o tipo de neuroplasticidade aumentada e mudanças no funcionamento neuronal, que parecem estar por trás dos benefícios dessas substâncias.

Griffiths comenta que o DMT, como outros psicodélicos, não parece ser tóxico para o cérebro ou o corpo. O único risco é que essas drogas são ilegais, complementa.

“A outra preocupação é que esse tipo de experiência pode ser desestabilizadora para alguns indivíduos. Em nossa pesquisa, não administramos psilocibina a pessoas com histórico familiar de doenças psicóticas, como esquizofrenia, porque é possível que uma experiência desse tipo as leve a um transtorno psicótico crônico”. Isso é mais uma precaução do que um risco comprovado – pesquisadores que procuraram ver se os psicodélicos podem desencadear sérios problemas de saúde mental não encontraram evidências de riscos elevados.

É importante ressaltar que ao utilizar psicodélicos, é fundamental que se tenha conhecimento dos efeitos e riscos associados. Se for usar para fins medicinais, é imprescindível o acompanhamento de um profissional habilitado.

Fontes: Ciência Psicodélica; Healthline e Vice.

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