Um dos maiores desafios do século XXI é reduzir a dependência de combustíveis fósseis, que são finitos.

Alguns biocombustíveis surgem como alternativa, e o cânhamo pode ser uma solução ecológica e sustentável.

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Devido à crescente demanda por energia em todo o mundo, os combustíveis fósseis provavelmente se esgotarão no próximo meio século.

Além dessa questão, há o problema da destruição ambiental causada pela queima de tais combustíveis, que contribui para o sério problema de mudança climática que já estamos vivendo. 

Consequentemente, as fontes de energia “verdes” ou renováveis ​​são essenciais para a nossa sobrevivência. Ao desenvolver ​​alternativas sustentáveis, reduzimos a vulnerabilidade do suprimento de combustível e podemos atrasar a destruição do planeta.

Os biocombustíveis são a aposta na área, sendo derivados de biomassa renovável e apresentando baixo índice de emissão de poluentes. O etanol é um biocombustível que tem sido altamente utilizado.

No entanto, alguns biocombustíveis podem causar mais danos do que benefícios. Certas culturas, como milho e soja, não são tão ”amigas do meio-ambiente”. A produção intensiva dessas matérias primas pode causar danos no solo e no ecossistema em que estão envolvidas.

Além disso, o uso excessivo de pesticidas e agrotóxicos acaba gerando uma cadeia de fatores negativos para o ambiente.

A nova promessa, agora, parece ser o biocombustível de cânhamo.

Ford e o cânhamo

Henry Ford foi o primeiro a criar um veículo que usava biocombustíveis de cânhamo. Seu Modelo T, ou “Tin Lizzie”, funcionava com gasolina ou combustíveis à base de cânhamo. No entanto, com a descoberta de grandes depósitos de petróleo bruto no início do século XX, sua ideia de um combustível de automóvel sustentável baseado em plantas fracassou.

Hoje em dia, os pesquisadores estão retomando a ideia de Ford em abrir um caminho mais verde para os combustíveis renováveis, que além de serem alternativas mais limpas, também ajudam a reparar os danos ambientais no processo.

A solução: Cannabis Sativa L.

O cânhamo pode ser usado para biorremediação, um processo para restaurar o solo da poluição tóxica. Essencialmente, como fitorremediador, o cânhamo retira as toxinas do solo como uma esponja. 

Agricultores usam o cânhamo para restaurar seus campos, que, inclusive, foi aplicado até mesmo para remover agentes radioativos do solo após o desastre em Chernobyl.

Pesquisas adicionais em 2012 mostraram que o cânhamo também absorve o cádmio do solo com eficácia. Surpreendentemente, o cânhamo pode limpar uma ampla gama de toxinas, incluindo metais, pesticidas, e petróleo bruto do solo.

É importante destacar que o cânhamo cultivado para desintoxicar esses solos não deve ser usado para consumo humano. Felizmente, esse cânhamo pode ser utilizado para criar biocombustível. 

Biocombustível de cânhamo

Essa ”colheita tóxica”, bem como as sementes da cannabis, pode ser usada para criar duas variedades de combustível sustentável:

  1. Biodiesel de cânhamo: feito de óleo de semente de cânhamo, pode ser usado em qualquer motor a diesel convencional. Uma pesquisa da Universidade de Connecticut mostrou que o óleo de cânhamo teve uma taxa de conversão de 97% em biodiesel e passou em todos os testes de laboratório. Imagine uma frota de caminhões movidos a combustível limpo e feito por uma usina que deixou o solo em melhores condições do que o encontrou… Incrível, né?
  2. ‘Hempanol”: o resto da planta pode ser usado para produzir etanol ou metanol. Às vezes conhecido como “hempanol” ou “hempolina”, esse tipo de combustível é feito por um processo chamado celulólise, que fermenta e destila o cânhamo para extrair o etanol. O metanol, por outro lado, é produzido a partir da matéria da polpa lenhosa nos caules das plantas. A criação de metanol a partir do cânhamo é feita por meio de um processo de destilação a seco.

Vantagens e desvantagens

  • Carbono neutro: a planta Cannabis Sativa ingere dióxido de carbono (CO2) muito rapidamente, ainda mais rápido do que as árvores. Além disso, as emissões de CO2 do biodiesel são reabsorvidas por meio do processo de fotossíntese nas plantas. Portanto, além de extrair toxinas do solo, a planta do cânhamo pode essencialmente “limpar” o CO2 do ar que respiramos.
  • Menos fertilizantes e pesticidas: ao cultivar o cânhamo, ele devolve ao solo cerca de 70% dos nutrientes necessários, o que significa que esta cultura requer muito menos fertilizante para crescer. O cânhamo também atrai relativamente poucas pragas de insetos. Portanto, menores quantidades de pesticidas são necessárias. O cânhamo também tem alta resistência a doenças fúngicas
  • Menos água: o cultivo de cânhamo precisa de menores quantidades de água do que outras culturas.
  • Rapidez: está pronto para a colheita em apenas quatro meses.
  • Eficiência: o biodiesel de cânhamo poderia, teoricamente, fornecer energia a qualquer motor a diesel convencional. Como mencionado, segundo uma pesquisa, 97% do óleo de cânhamo foi convertido em biodiesel, comprovando que possui alta eficiência de conversão.

Criar uma safra de recursos renováveis ​​que pode restaurar a saúde do solo, extraindo toxinas do solo, do ar e da água, enquanto a gera uma fonte de energia mais sustentável pode parecer sonho, no entanto, existem alguns desafios para essa realidade.

O maior obstáculo para o desenvolvimento de biocombustível de cânhamo é a ilegalidade da planta em diversos lugares.

Além disso, como é um tema que está surgindo agora, ainda não existe toda a infraestrutura necessária nos mercados legais para amparar a criação de biocombustíveis com cânhamo. Ainda é necessário muito investimento e a criação dessa infraestrutura. 

Apesar disso, o cânhamo é uma alternativa promissora que vem sendo amplamente estudada como uma opção de biocombustível ecológica. 

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