A legalização da maconha para fins industriais, medicinais e científicos (caso sancionado o Projeto de Lei 399/15) no Brasil pode levar a uma mudança radical na dinâmica global de produção da planta, segundo especialistas.

(Imagem: Richard T | Unsplash)

Lorenzo Rolim da Silva, presidente da Associação Latino-Americana de Cânhamo Industrial, disse ao Hemp Today que se as novas leis sobre a maconha forem promulgadas no Brasil e se a regulamentação da maconha para fins medicinais e industriais for aprovada na Argentina, os dois países poderão alcançar o máximo de potencial nos mercados internacionais.

“Ambos os projetos são bastante robustos e modernos e colocariam os dois países em linha com os regulamentos atuais da União Europeia e da América do Norte”, disse Rolim da Silva.

Possível legalização

No Brasil, ainda se aguarda o encaminhamento do Projeto de Lei 399/15 para o Senado.

Apesar do texto do Projeto ter sido aprovado, os opositores à proposta apresentaram também um requerimento para levar o texto ao plenário da Casa.

Esse recurso ainda precisa ser votado. Caso ele seja aprovado, o PL 399 será votado pelos 513 deputados federais antes de seguir ao Senado. Ou seja: duas votações.

(Imagem: CRYSTALWEED cannabis | Unsplash)

Na Argentina, já existe uma lei para os usos medicinais e científicos da cannabis, a Lei 27.350/2017. Agora, está tramitando a regulamentação do cânhamo e demais aspectos dos usos já legalizados.

Tal regulamentação já foi aprovado pelos comitês legislativos de agricultura, finanças e segurança nacional e, agora, aguarda a etapa final de aprovação pelo Senado do país, com chance de entrar em vigor em 2022.

Potencial latinoamericano

Pela forte presença da agroexportação em ambos os países, o cânhamo teria alto potencial em contribuir para a economia interna e externa do Brasil e da Argentina.

A ideia é que o cânhamo industrial seria regulamentado da mesma forma que culturas comuns, como soja e milho, com supervisão apenas dos ministérios da agricultura da Argentina e do Brasil, e sem envolvimento de agências de drogas.

Com a agricultura desempenhando um papel crítico na economia de cada nação, as novas leis permitiriam que o cânhamo se movesse para a corrente principal da agricultura em duas das principais nações agrícolas do mundo.

Para contribuir ainda mais, tanto Brasil, quanto Argentina possuem vantagens morfoclimáticas para o cultivo de cânhamo em larga escala, e exportação.

As leis também facilitariam o acesso a medicamentos à base de canabinóides em grandes mercados de consumo doméstico de rápido crescimento, atualmente atendidos por produtos importados. A produção local poderia suplantar essas importações com produtos mais baratos e de melhor qualidade.

(Imagem: David Gabrić | Unsplash)

Possibilidades para o Brasil

O Brasil é o quarto maior país agrícola do mundo, atrás da China, Índia e Estados Unidos, com potencial para cultivar cânhamo em grande escala, abrindo oportunidades para a produção de grãos e fibras.

Embora o cânhamo ainda seja relativamente desconhecido como alimento no país, a tendência é que isso mude ao longo do tempo. Enquanto isso, o cânhamo pode se juntar imediatamente a outras commodities atualmente sendo exportadas pelos agricultores do país.

O Brasil também é líder na indústria global de celulose e papel, principalmente na produção para exportação. A expectativa é que os insumos de cânhamo se expandam à medida que a demanda por matérias-primas sustentáveis aumenta.

O potencial da maconha para fins medicinais no Brasil – que ocupa o quarto lugar entre os mercados farmacêuticos globais – vai aumentar significativamente com a aprovação da nova legislação, com estimativas de que o setor poderá atingir um faturamento de US $ 4,7 bilhões nos próximos três anos.

Em suma, existem várias possibilidades econômicas e sociais para o país com a legalização. Seguimos na torcida para que aconteça em breve.

Fonte: Hemp Today

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