Um estudo do Centro de Pesquisa de Cannabis da Universidade da Califórnia Berkeley mostrou que as operações de cultivo de cannabis licenciadas usam menos água do que se pensava anteriormente.

(Imagem: reprodução Leafly)

Os pesquisadores do centro começaram a estudar o uso da água por produtores de cannabis em 2017, após a legalização da maconha para uso adulto na Califórnia, que aconteceu em 2016.

Os dados para o estudo foram coletados a partir de relatórios de uso de água de cultivos licenciados e de pesquisas anônimas feitas com produtores.

A pesquisa determinou que os produtores de maconha legal do estado irrigam suas plantações com água de várias fontes, incluindo riachos, poços, água da chuva capturada, nascentes e sistemas municipais de água. Mas, a maioria utiliza água de poços subterrâneos.

“Há uma preocupação crescente com os impactos das fazendas de maconha sobre o meio ambiente e os recursos hídricos, em particular, mas os dados sobre as práticas de cultivo e os padrões de uso da água são limitados”, escreveram os autores do estudo, acrescentando: “O estudo atual usa dados relatados por inscritos no Programa de Cannabis do Conselho Regional de Controle de Qualidade da Água da Costa Norte da Califórnia, para modelar como a variação nas práticas de cultivo e o uso de água armazenada afetam o tempo e a quantidade de água extraída do meio ambiente”.

Van Butsic e Ted Grantham, codiretores do Cannabis Research Center e auxiliares do Public Policy Institute of California’s Water Policy Center, disseram à mídia local que o estudo “descobriu que a cannabis não tem sede especial em relação a outras culturas”.

“A produção legal ao ar livre usa quase a mesma quantidade de água que uma safra como o tomate”, disse Bustic.

(Imagem: reprodução Yahoo Finance)

Natalynne DeLapp, diretora executiva da Humboldt County Growers Alliance, observou que o tamanho médio de uma fazenda de cannabis em Humboldt County (local da Califórnia que concentra a maior produção de maconha dos Estados Unidos) é cerca de meio acre, enquanto a maioria das fazendas para outros produtos agrícolas pode cobrir centenas ou mesmo milhares de hectares.

“Coloque tudo isso na conta e estimamos que uma única grande fazenda de amêndoas no Vale Central utiliza 33 vezes mais água do que todas as fazendas de cannabis Humboldt permitidas combinadas”, disse DeLapp.

“Outra maneira de olhar para o consumo de água é considerar quanta produção é produzida a partir de um único galão de água”, ela continuou. “Para outras safras, como tomate, alface ou amêndoa, um galão de água produz entre um décimo de centavo a dois centavos de valor na produção. Para a cannabis, um galão de água produz quase US$ 7 de valor. Nesse sentido, a cannabis é, de longe, o produto agrícola mais eficiente em termos de água na Califórnia”.

A relevância do estudo

Embora os impactos ambientais da cannabis não regulamentada sejam significativos e graves na Califórnia, faltavam dados concretos sobre o consumo de água por cultivos legalizados, principalmente devido ao estigma.

O relatório foi de extrema relevância pois além de trazer ciência de verdade, mostrou que a dependência de águas subterrâneas hidrologicamente conectadas é uma ameaça para o habitat aquático de terras altas, raro e ameaçado.

Especialistas afirmam que a partir desses dados, novas medidas podem ajudar os produtores a usar a água de forma eficiente.

Uma delas é educar cultivadores e criar incentivos para o uso de irrigação a partir de água armazenada da chuva. Usando essa abordagem, a cannabis seria a cultura de rendimento mais valiosa da Califórnia, e a mais sustentável.

Tom Wheeler, diretor executivo do Centro de Informações de Proteção Ambiental, disse que embora esteja preocupado com o impacto que o uso de água de poço terá nas nascentes e nos fluxos de água de superfície, em geral, “o modelo de cannabis é bom”.

“Não quer dizer que não haja problemas potenciais com a produção de cannabis e o uso de água”, disse Wheeler. “Acho que a indústria, em geral, tem feito um trabalho melhor em descobrir como usar um recurso mais limitado e precioso do que outras formas de agricultura. Felizmente, a cannabis é uma espécie que está abrindo caminho para melhores regulamentações, a serem aplicadas sobre outras formas de agricultura”.

Fonte: High Times

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