Os psicodélicos estão ganhando novos contornos, mas ainda existem vários mistérios que permeiam essas substâncias.

(Imagem: reprodução Medical News Today)

Por conta do proibicionismo, pesquisas e novas descobertas sobre os potenciais dos psicodélicos ficaram ”congelados” por muito tempo. 

Mesmo frente a ilegalidade, um pesquisador se destacou: Terence McKenna (1964 – 2000). 

Além de pesquisador, McKenna foi um etnobotânico, escritor e, principalmente, psiconauta. 

Entre seus trabalhos de destaque, está uma publicação desenvolvida com seu irmão, Dennis, sobre um dos primeiros manuais de autocultura de cogumelos Psilocybe.

Terence era um defensor do uso de substâncias psicoativas para crescimento pessoal, espiritual e cultural. E, hoje, é conhecido como fundador de uma série de teorias sobre o uso dos psicodélicos. 

Mais de duas décadas após sua morte, muitas de suas ideias continuam vanguardistas e nos permitem repensar muitos aspectos da relação entre nossa espécie e os mistérios da natureza.

Os macacos psiconautas

Uma das teorias mais populares de McKenna sugere que o passo fundamental na evolução humana do Australopithecus aos primeiros gêneros Homo foi catalisado por cogumelos psilocibinos. 

Na teoria de McKenna, os ancestrais humanos percorriam as savanas africanas seguindo rebanhos de mamíferos herbívoros.

Com isso, os primeiros humanos teriam encontrado e comido os cogumelos do gênero Psilocybe que se desenvolvem no esterco desses tipos de animais.

No seu livro ”O Alimento dos Deuses”, McKenna criou a hipótese de que a adoção dos cogumelos psicodélicos dentro da dieta do Homo erectus fez com que o cérebro desses primatas ganhasse a capacidade de processar e organizar informações de maneira surpreendente.

A teoria sugere três mudanças fundamentais a partir dos efeitos causados ​​pela psilocibina em diferentes doses: em baixas doses, gera-se uma melhora na percepção visual, principalmente na detecção de bordas e contrastes, algo fundamental para um hominídeo cuja sobrevivência dependia da caça e da colheita.

Doses um pouco maiores aumentam a libido e geram um estado de bem-estar, combinando dois fatores que levam diretamente à propagação e sobrevivência de uma espécie: melhores fontes de alimento e maior atividade sexual.

Em doses médias a altas, são gerados dois efeitos que mantêm a diferença entre os humanos e o restante dos primatas: a psilocibina estimula a vocalização e pode predispor episódios de sons que simulam a linguagem.

A sinestesia e a difusão das barreiras entre os sentidos, características da psilocibina, teriam ajudado a consolidar a criação de uma linguagem abstrata entre nossos ancestrais, algo fundamental para o desenvolvimento da espécie humana.

Teoria polêmica

Apesar de revolucionária, a teoria não tem evidências factuais. Alguns estudos que buscaram investigar mais a fundo, são respostas inconclusivas sobre a influência da psilocibina na cognição humana. 

Por outro lado, alguns especialistas em fungos, como Paul Stamets (autor de importantes livros relacionados aos cogumelos e protagonista da série documental ”Fungos Fantásticos”, disponível na Netflix), defendem que a teoria de McKenna é aplicável à evolução dos hominídeos.

Segundo Stamets, durante um momento histórico, o cérebro do Homo erectus duplicou de tamanho, e, posteriormente, o Homo sapiens teria seu cérebro triplicado em massa. E, para Stamets, a teoria de McKenna pode ser uma boa explicação para isso:

“Nossos ancestrais, quando estavam deixando a savana em busca de comida, seguiam a trilha das fezes dos animais para caçar. É lógico supor que esses macacos iriam provar os cogumelos que topavam crescendo nessas fezes. Um grupo de primatas sentado ao redor do fogo é uma coisa, e outra, na mesma circunstância, com cogumelos mágicos é algo completamente diferente. A quantidade de informação, de sentimentos espirituais e desejo de articular e vocalizar pensamentos é de uma diferença colossal. Se isso realmente aconteceu, e eu acho muito, mas muito provável, pode ter sido o despertar espiritual e o da linguagem que definiram o ser humano”, confirma o cientista.

Contribuições para a ciência 

Ainda que suas teorias gerem controvérsias, McKenna também teve um importante trabalho relacionado à ecologia. 

Segundo o cientista, na utilização e obtenção de recursos, as plantas apresentam uma adaptação superior aos animais, visto que podem persistir indefinidamente no mesmo habitat, reciclando-se em simbiose com outras espécies e gerando um ciclo que permite o equilíbrio no resto do ecossistema.

Transferindo essa ideia para as civilizações humanas, o uso de tecnologias sustentáveis ​​e energia fotovoltaica seria a chave para um futuro mais eficiente e ecológico. 

Alguns consideravam as ideias de McKenna um tanto absurdas, mas será que não fazem mais sentido que a lógica que estamos acostumados?

Fonte: Revista THC

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