A indústria da moda é uma das mais poluentes que existem. 

O cânhamo parece ser a solução para reverter esse problema e o mundo fashion tem abraçado cada vez mais essa alternativa.

(Imagem: reprodução Ulule)

Os danos ambientais da indústria da moda

A fast fashion (moda rápida, termo utilizado para designar a renovação constante das peças comercializadas no varejo de moda) é uma das maiores poluidoras do meio-ambiente. 

Segundo dados publicados pela BBC, os norte-americanos, por exemplo, jogam fora mais de 14 milhões de toneladas de roupas usadas a cada ano. 

Mais de 300.000 toneladas de roupas acabam em aterros sanitários ou são queimadas. O mais chocante é que a maioria dessas roupas nunca foi vendida ou usada. 

Na maioria dos casos, queimar e despejar as roupas em aterros sanitários é a maneira dos fabricantes e varejistas de se livrar do “estoque morto” de maneira “econômica”.

No entanto, embora pareça uma solução barata, os custos são imensuráveis para o planeta.

Por exemplo, você sabia que roupas de poliéster levam quase 200 anos para se decompor totalmente? Dois séculos inteiros para se degradar completamente e, ainda assim, são produzidas toneladas de roupas de poliéster – e jogadas fora ainda mais rápido.

Além disso, pequenos pedaços de plástico presentes em fibras sintéticas compõem 34,8%, dos microplásticos no oceano

Por outro lado, fibras naturais como o algodão exigem muitos recursos: são necessários cerca de 713 galões de água para produzir o algodão para uma camiseta.

Sem contar nas emissões de carbono, pelas quais a indústria da moda é responsável.

Mas, muitos estão se atentando cada vez mais para esse problema alarmante, e percebendo que moda não é apenas ter mais roupas, mas ser social e ambientalmente responsável.

O mundo precisa de novas formas para lidar com os danos ambientais. À medida que a indústria da moda caminha em direção à sustentabilidade, o cânhamo está emergindo como uma opção mais sustentável.

Cânhamo como alternativa ecológica

O cultivo do cânhamo, por si só, é bem mais ecológico e envolve práticas quase inteiramente regenerativas. 

Os maiores benefícios do cânhamo são:

  • Requer pouca água
  • Não precisa da aplicação de pesticidas para a maioria dos insetos
  • Repõe os nutrientes do solo (ao contrário do algodão, que rouba os nutrientes do solo)
  • Previne a erosão e pode crescer no mesmo solo algumas vezes
  • Usa metade da quantidade de terra que o algodão precisa para crescer, e produz 3 vezes mais fibras do que o algodão
  • As plantas de cânhamo absorvem mais dióxido de carbono do meio ambiente do que as árvores
  • A fibra de cânhamo já se mostrou mais resistente do que as demais fibras naturais (como o algodão), levando à produção de roupas mais duráveis
  • Material biodegradável, portanto, a melhor alternativa em relação ao poliéster e tecidos sintéticos

Com todos esses benefícios, você deve estar se perguntando: por que todos vestuários do mundo não são feitos de cânhamo?

A resposta simples é: porque ainda é caro

(Imagem: reprodução Sensi Seeds)

O cânhamo ainda não é amplamente produzido como outras plantações de onde se extraem as fibras, portanto, a oferta ainda é baixa, o que deixa o custo elevado. 

Além disso, o processo de produção da fibra de cânhamo também é mais caro do que os demais tecidos, o que encarece.

A expectativa é que o processo de produção se torne mais eficiente, permitindo a produção em larga escala, com um valor menor. E, claro, o cultivo de cânhamo deve ser maior para tornar essa fibra mais barata.

Com mais países legalizando e o estigma em relação à planta diminuindo, espera-se que o cultivo do cânhamo cresça. 

E o fator principal para incentivar mais marcas de roupas a adotarem a fibra de cânhamo em suas confecções é a preferência do consumidor.

Mudança na preferência dos consumidores

As novas gerações parecem estar mais conscientes das questões ambientais e optando por alternativas (em todas as áreas) que respeitem o meio-ambiente.

O movimento ”Green Fashion” confirma essa tendência.

Uma pesquisa realizada entre 5.000 consumidores em cinco países, conduzida pelo Boston Consulting Group, descobriu que 75% consideram a sustentabilidade como muito importante em suas decisões de compra.

Além disso, a pesquisa descobriu que 38% dos consumidores mudaram de uma marca preferida porque outra oferecia uma postura ambiental ou social mais positiva. Essa porcentagem subiu para 48% para os consumidores mais jovens pesquisados.

E metade dos consumidores entrevistados, tanto jovens quanto velhos, disseram que esperam trocar de marca por aquelas que são mais ambiental ou socialmente responsáveis.

“A questão não é mais se é necessário melhorar as práticas de negócios sustentáveis, mas quanto tempo vai demorar para que os consumidores parem de comprar de marcas que não agem”, conclui a pesquisa.

(Imagem: reprodução Hemptology)

Essa preferência dos consumidores tem feito com que mais marcas de roupas escolham práticas sustentáveis, como o uso da fibra de cânhamo. 

Quanto mais demanda houver por cânhamo, mais agricultores e produtores começarão a optar por esse cultura agrícola, e a ideia é que a infraestrutura para produção da fibra e tecidos da planta seja melhorada, permitindo uma produção de tecidos com cânhamo em maior escala e mais competitiva. 

No Brasil, é possível encontrar roupas de cânhamo de algumas marcas que já usam a fibra em suas confecções: como a Ginger, Levi’s, Reserva e Adidas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui


Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.