Para os adeptos da cafeína, tomar uma xícara acompanhada de um baseado é uma das melhores combinações que existem. 

Já parou para pensar como esse conjunto age no seu organismo?

(Imagem: reprodução InsideHook)

Substâncias psicoativas

A cafeína é considerada uma substância psicoativa, que causa alterações no nosso organismo e mente. 

Portanto, por definição farmacológica, também se categoriza como droga (a diferença é que essa é legalizada e amplamente aceita socialmente). 

Explicando um pouco melhor através da ciência, a cafeína é um estimulante do sistema nervoso central que impede que os neurotransmissores em seu cérebro o façam sentir sonolento. 

Ao se sentir mais acordado ou energizado, é a cafeína fazendo o trabalho de substâncias químicas como o cortisol e a adrenalina, que elevam sua pressão arterial e aumentam o suprimento de energia, causando sensações de euforia. A maconha, ao que parece, funciona de maneira semelhante.

(Imagem: reprodução Toronto Sun)

Um estudo de 2017 descobriu que tanto a maconha quanto a cafeína aumentam os níveis de dopamina e o batimento cardíaco. Quando consumidas em conjunto, elas aumentam a sensação de euforia, que já é um efeito característico de ambas as substâncias. 

Ou seja, o café e a cannabis tem mecanismos de ação similares no nosso organismo, quando você junta os dois, os efeitos são aumentados. 

Os pesquisadores recomendam que ao consumir café junto com um baseado, é melhor escolher um café com menor concentração de cafeína ou uma cannabis com menor nível de THC.

Para algumas pessoas, os efeitos ”em dobro” dessas substâncias psicoativas podem ser bastante desconfortáveis. 

Uma outra descoberta interessante foi realizada através de uma pesquisa feita com macacos: quando eles consumiram baixas doses do composto da cafeína, queriam menos THC; mas quando consumiam altas doses de cafeína, queriam mais THC.

“É possível que baixas doses de cafeína não afetem tanto o sistema endocanabinóide e, portanto, os macacos ficaram satisfeitos com a ‘brisa’, mas em altas doses, os macacos podem ter retardado sua função endocanabinóide, exigindo, portanto, mais canabinóides para obter uma resposta satisfatória da ‘brisa’ ”, comenta um dos pesquisadores. 

A conclusão é que grandes doses de cafeína podem levar a uma maior necessidade de THC.

A relação da cafeína com o sistema endocanabinóide

(Imagem: reprodução Insider)

Um estudo de 2018 analisou diferentes metabólitos (substâncias criadas quando o corpo metaboliza alimentos, drogas e outras substâncias) na urina de bebedores de café. 

Durante o primeiro mês do estudo, os indivíduos ficaram sem café. No segundo mês, consumiram quatro xícaras por dia e no terceiro mês, oito xícaras diárias. 

O estudo descobriu que houve uma redução nos metabólitos do sistema endocanabinóide (SEC) com o aumento do consumo de café, o que significa que o SEC começou a metabolizar cada vez menos conforme os participantes do estudo aumentavam sua ingestão de café.

Ou seja, maiores doses de cafeína podem desacelerar o sistema endocanabinóide. 

Os resultados do estudo sugerem que o café ou a cafeína podem impedir que o SEC se metabolize na taxa que normalmente faria, tornando mais difícil para você relaxar.

Mix perfeito?

Resumindo, o café e a cafeína em conjunto podem aumentar o efeito um do outro. 

Para algumas pessoas, pode ser incômodo. Para quem busca efeitos maiores tanto do café, quanto da maconha, pode ser uma boa pedida.

É bom ter em mente que muitas doses de cafeína afetam o sistema endocanabinóide. 

Porém, especialistas apontam que ainda faltam mais pesquisas para comprovar todos os possíveis resultados desse mix. Até porque, cada organismo reage diferente às substâncias. 

Portanto, fica a cargo de cada um entender quais efeitos estão buscando com essa combinação famosa. 

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