A Johns Hopkins Medicine recebeu um investimento do Instituto Nacional de Saúde (NIH – National Institutes of Health), dos Estados Unidos, para explorar os potenciais da psilocibina no vício do tabaco. 

Esta é a primeira bolsa do NIH concedida em mais de meio século para investigar diretamente os efeitos terapêuticos de um psicodélico clássico.

(Imagem: reprodução Health Europa)

O centro de medicina da Universidade Johns Hopkins liderará um estudo de três anos, em colaboração com a University of Alabama at Birmingham, e a New York University. 

O estudo será conduzido simultaneamente nas três instituições para diversificar o grupo de participantes e aumentar a confiança de que os resultados se aplicam a uma ampla gama de pessoas que fumam. 

O subsídio, totalizando quase US$ 4 milhões, é financiado pelo National Institute on Drug Abuse (Instituto Nacional de Abuso de Drogas) do NIH.

“A importância histórica desta doação é monumental”, diz o principal pesquisador do estudo, Matthew Johnson, Ph.D., “Sabíamos que era apenas uma questão de tempo até que o NIH financiasse esse trabalho, porque os dados são muito convincentes e porque esse trabalho tem se mostrado seguro. A psilocibina tem riscos muito reais, mas esses riscos são totalmente mitigados em ambientes controlados por meio de triagem, preparação, monitoramento e cuidados de acompanhamento”.

Nos últimos 20 anos, tem havido um renascimento crescente da pesquisa com psicodélicos clássicos, que são a classe farmacológica de compostos que inclui a psilocibina e o LSD. 

Esses estudos foram amplamente financiados pela filantropia, resultando em achados clínicos impressionantes para sofrimento existencial relacionado ao câncer, transtorno depressivo maior, e transtornos por abuso de substâncias.

Johnson iniciou esta linha de pesquisa testando a psilocibina para a cessação do tabagismo há 13 anos. Um estudo piloto, publicado em 2014, mostrou taxas de abstinência muito altas, muito maiores do que as observadas com medicamentos e terapias tradicionais para parar de fumar.

O estudo atual, que será desenvolvido com o aporte do governo, envolve sessões de psilocibina, bem como terapia cognitivo-comportamental – um tipo de psicoterapia (psicoterapia) focada em identificar padrões negativos de pensamento que podem levar a problemas comportamentais e de saúde mental. 

Os pesquisadores sugerem que a psilocibina pode ajudar a quebrar o padrão viciante de pensamentos e comportamentos que se tornou arraigado após anos de tabagismo, ajudando, assim, as pessoas a abandonar o hábito.

A psilocibina, composto encontrado em alguns cogumelos, produz ilusões visuais e auditivas, e mudanças profundas na consciência. Combinada com preparação e suporte estruturado, a psilocibina tem se mostrado promissora no tratamento de uma variedade de vícios e distúrbios mentais.

Alguns estados norte-americanos já estão estudando legalizar a psilocibina para fins terapêuticos. O Oregon foi o primeiro a liberar o uso para essa finalidade, em 2020, criando o primeiro sistema de terapia assistida por psilocibina licenciado pelo estado.

Com o investimento do governo federal em pesquisas, espera-se que mais estados e países se abram às possibilidades das substâncias psicodélicas. 

Fonte: John Hopkins Medicine

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