Ao consumir maconha (vaporizando, comendo, ou através de óleos ou tinturas) é possível experienciar diversas sensações, que variam de pessoa para pessoa.

Mas, de maneira geral, a planta ajuda a relaxar, pode ajudar com a qualidade do sono, humor, dores, ajuda na descontração, criatividade, causa larica, vontade de dar risada, preguiça… Isso sem contar no alívio que ela causa sobre sintomas de diversas patologias.  

A pergunta que fica é: como ela age sobre nosso corpo e cérebro para conseguir causar todas essas sensações diferentes?

(Imagem: Grav | Unsplash)

Como a maconha age 

Quando sentimos dor, inflamação ou estresse – ou temos problemas relacionados ao medo e humor – nosso corpo libera vários neurotransmissores, e os endocanabinóides também são liberados para modular essas sensações

Como os canabinoides da maconha se parecem e agem da mesma forma que os endocanabinóides, eles se ”agarram” aos receptores de canabinóides no nosso cérebro: o CB1 e o CB2.

O receptor CB1 está localizado, principalmente (mas não apenas), em partes do cérebro associadas ao aprendizado, memória, recompensa, ansiedade, dor e controle de movimento. Depois, há o receptor CB2, que está associado ao seu sistema imunológico. 

Os canabinóides da planta atuam sobre as funções dos neurônios, aumentando certos sinais e interferindo em outros. É por isso que os efeitos da maconha podem variar de uma sensação de relaxamento e alívio da dor até aquela sensação de ficar chapado, ansiedade (ou falta dela) e até fome.

Os fitocanabinóides encontrados em maior abundância na planta, e mais estudados, são o THC e CBD. Por isso, existe mais informação de como eles atuam no nosso organismo. 

Claro que outros fitocanabinóides também têm um papel importante, mas os componentes com um maior número de informações são o THC e CBD.

Atualmente, os terpenos também têm sido mais estudados, e já se sabe que estes compostos também atuam em conjunto com os fitocanabinóides, contribuindo para as sensações que sentimos ao consumir maconha. 

THC, CBD e terpenos

O THC se liga ao receptor CB1, e o CBD ao receptor CB2.

O THC aumenta a produção de dopamina, quanto maior o nível desse canabinóide, maiores as sensações de alegria, relaxamento, sensibilidade (nossos sentidos ficam mais aguçados, daí vem a larica), vontade de dar risada, euforia… 

Os efeitos diferem de pessoa para pessoa (porque cada organismo é diferente), mas de maneira geral, é assim que o THC atua. 

O CBD atua de maneira contrária ao THC, mas causa ótimas sensações, reduzindo a dor e a rigidez muscular e causando sensação de relaxamento. 

Os canabinóides atuam melhor em conjunto para manter nosso sistema endocanabinóide – e consequentemente, nosso organismo – funcionando bem. Porém, reforçamos que cada caso é um caso, e para algumas pessoas, o melhor é usar isolados.

Os terpenos também são importantes nessa ação sinérgica e influenciam as sensações que sentimos ao consumir a maconha. 

Esses compostos podem impactar como o THC e o CBD agem no organismo, contribuindo para a atuação dos canabinóides sobre a dor, ansiedade, apetite (e muito mais!). 

Existem outros efeitos da planta que são explicados pela atuação dos compostos da maconha sobre nosso corpo, abaixo trazemos os efeitos mais comuns ao fumar um baseado. 

Ação da maconha ao fumar um baseado

  • Estágio 1: os primeiros sinais

Tudo começa quando o THC cruza a barreira hematoencefálica (sangue-cérebro) e se liga aos receptores CB1. 

Essa ativação pode ocorrer em segundos ou minutos, mas assim que ocorre a ligação aos receptores, os efeitos primários da cannabis podem começar a ser sentidos. 

Esses efeitos geralmente começam com uma sensação de ”efervescência pelo corpo” e uma ligeira mudança na cognição, você pode começar a sentir relaxado e levemente alterado.  

  • Estágio 2: os efeitos começam a aumentar

À medida que o THC se concentra na corrente sanguínea, a ”brisa” se desenvolve. 

Há uma intensificação dos efeitos físicos e cerebrais. A duração e a intensidade desse momento dependem do organismo de cada um, da tolerância de quem está consumindo, do método de consumo e da quantidade de THC ingerido. 

Alguns efeitos mais sentidos nesse início são criatividade, relaxamento e até mesmo alívio da dor. 

(Imagem: Dad Grass | Unsplash)

O estágio 1 a 3 acontecem de maneira rápida, com fluidez contínua, então não é tão perceptível as diferenças entre a ativação e o início da ”brisa”. 

No entanto, chegará um momento em que seu sangue atingirá a concentração máxima de THC, e será então que a sensação de ”realmente chapado” entrará em cena.

  • Estágio 4: tentando calibrar os sentidos

Conforme seu corpo se reajusta ao THC em sua corrente sanguínea, você pode sentir seu corpo tentando entender o que está acontecendo, ou seja, você está se sentindo extremamente relaxado, flutuando, sua cognição está alterada, mas ao mesmo tempo, seu corpo está tentando se concentrar na realidade. 

Isso pode causar ansiedade ou tensão em algumas pessoas. 

Esse é um bom momento para fazer alguma coisa: tomar um banho, jogar videogame, conversar. É importante manter a mente ocupada para amenizar essas sensações levemente divergentes, enquanto seu corpo tenta equilibrar os sentidos

(Imagem: reprodução Weedmaps)
  • Estágio 5: o auge

Nesse momento, seu corpo já se acostumou com as sensações de ”chapado” e a ”brisa” se estabelece por completo. 

Dependendo da strain que você está consumindo, é agora que os efeitos próprios de tal cepa vão se intensificar, aguçando as sensações.

Ou seja, é neste estágio que você vai se sentir extremamente criativo, ou extremamente eufórico, tagarela, com muita vontade de dar risada ou com muita preguiça (dependendo das propriedades da strain. Se for um prensado, provavelmente, você vai sentir tudo ao mesmo tempo, com bastante intensidade).

Tudo fica mais intenso. É o momento de se entregar 100%, aproveitar e deixar a mente vagar livremente. 

(Imagem: iStock)
  • Estágio 6: quando a onda começa a baixar

Nesse estágio, você já está chapado por um tempo e o THC começa a se diluir na corrente sanguínea.

Aqui, seus olhos provavelmente estão vermelhos (porque o THC faz os vasos sanguíneos do olho se expandirem), as pálpebras provavelmente estão pesadas, e a larica provavelmente está surgindo. 

Ah! Você também vai notar sua boca seca. Isso acontece porque existem receptores canabinóides onde nossa saliva é produzida. Portanto, quando esses receptores são ativados, a produção de saliva é restringida.

Esse estágio pode durar de uma hora até a maior parte do dia, a não ser que você inicie o ritual novamente.

(Imagem: reprodução Weedmaps)
  • Estágio 7: começando tudo de novo?

O THC vai se dissipando lentamente pelo corpo, e talvez seja o momento de continuar, caso você queira se manter ”chapado”. Caso você siga consumindo cannabis, você vai experienciar todas as sensações novamente, mas com a intensidade do estágio 5, pois o THC continuará concentrado e seu corpo já estará calibrado com as sensações.

  • Estágio 8: descompressão

Se você prolongar a sessão, provavelmente você vai manter as sensações intensas por um bom tempo. 

Quando você parar de ingerir THC, provavelmente você se sentirá um pouco letárgico e cansado. É o momento da soneca.

(Imagem: reprodução Eat This, Not That)
  • Estágio 9: tranquilidade

Ao final de todas as etapas, quando realmente acabar a brisa, sua cognição ainda poderá estar levemente alterada. 

O THC não está mais fazendo efeito, mas os outros canabinóides ainda podem estar se dissipando. 

Efeitos como tranquilidade e felicidade são resquícios comuns de uma onda que durou um bom tempo. 

Agora que você entende todos os estágios da maconha agindo, você é daqueles que prolonga a sensação ou deixa o baseado fazer efeito passo a passo?

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