A kratom é uma planta tradicional do Sudeste Asiático, por ser considerada uma substância psicotrópica já foi alvo de diversas controvérsias.

Entretanto, o governo tailandês optou por retirar essa planta das substâncias proibidas do país. A Tailândia vem adotando uma nova política de drogas nos últimos anos, a fim de aliviar as prisões superlotadas e facilitar o acesso regulamentado a substâncias naturais com propriedades terapêuticas.

Há dois anos, o governo regulamentou a cannabis para fins medicinais, e agora foi a vez da kratom ser legalizada.

Kratom

Usado há milhares de anos, a Kratom é da família do café e possui propriedades estimulantes e analgésicas.

O extrato da planta contém mitragyna, um estimulante natural. A kratom pode ser tanto mascada, como uma folha de coca, como fumada. Quando mastigadas e fumadas, as folhas de kratom proporcionam um leve aumento de energia.

(Imagem: reprodução IstoÉ)

Em doses baixas, a kratom produz efeitos estimulantes, com usuários relatando maior estado de alerta, energia física e mais vontade de falar. Em altas doses, os usuários experimentam efeitos sedativos, semelhantes a opióides, podendo causar dependência se consumida em muita quantidade.

Por conta de seus efeitos analgésicos, as pessoas usam a kratom para aliviar tensões musculares e como substituto do ópio. Nesse sentido, a droga também tem sido usada para controlar os sintomas de abstinência de opióides, ajudando a gerenciar a desintoxicação e atenuando as dores.

A planta, que não é completamente ilegal nos Estados Unidos, é utilizada no país em baixa escala, para tratar o uso indiscriminado de opióides – que já matou mais pessoas do que as guerras do Vietnã e Afeganistão, juntas.

Na Tailândia, a planta também costuma ser misturada com outras drogas para fazer um chá ou coquetel narcótico. Essa forma de consumo permanece ilegal.

Quando misturada a outras drogas pode levar a efeitos adversos graves. Junto a outros entorpecentes, a planta já causou a morte de 91 pessoas entre julho de 2016 e dezembro de 2017, e foi encontrada junto ao corpo de 2 pessoas mortas por overdose, na Tailândia.

Nesse sentido, o governo vê como importante regulamentar o consumo para evitar efeitos adversos na população. O governo afirma que legalizar permitirá mais estudos e um controle adequado sobre o acesso, quantidades seguras e usos.

A planta era ilegal na Tailândia desde 1943, e as penas para posse eram de dois anos de reclusão e US$ 6 mil de multa para quantidades iguais ou maiores a 10 kg.

(Imagem: reprodução Southeast Asia Globe)

Nova política de drogas

A Tailândia vem mudando sua abordagem em relação às substâncias proibidas. A legalização da kratom, que envolveu a remoção da droga da lista oficial de narcóticos controlados, é o mais recente movimento do país para liberalizar suas leis sobre drogas.

Nos últimos dois anos, a Tailândia legalizou o uso, cultivo e compra licenciados de maconha medicinal, e permitiu que as famílias cultivassem até seis plantas. Penalidades severas permanecem para drogas pesadas como heroína e metanfetamina.

Ao flexibilizar a lei em relação às substâncias naturais, o país busca tirar a pressão sobre o sistema judiciário da Tailândia e aliviar suas prisões superlotadas, estas têm sido as grandes motivações para a nova política de drogas do país.

Com a legalização da posse e a comercialização de kratom, 121 detidos pelo uso da planta ganharam novamente a liberdade – além disso, milhares de processos judiciais serão encerrados.

O Ministro da Justiça, Somsak Thepsuthin, comenta para o The New York Post que essa mudança da política de drogas do país não só ajudaria a reduzir custos no sistema legal, mas também permitiria que o medicamento fosse usado como um substituto de baixo custo para analgésicos caros como a morfina, e geraria renda para as pessoas que plantam a kratom, que é amplamente cultivada e consumida no Sul da Tailândia, região mais pobre do país. Líderes de comunidades afirmam que a kratom faz parte da vida diária da população local há muito tempo, ajudando-a a se sentir revigorada.

(Imagem: reprodução Simandan)

Fontes: The New York Post e IstoÉ

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