Sabemos que a Guerra às Drogas, e seus proibicionismo sobre diversas substâncias, trouxe danos astronômicos para a sociedade, cultura, economia e para a área da saúde.

Diversas substâncias que já foram estudadas e utilizadas de maneira terapêutica para diversos tratamentos, no passado, hoje figuram como ilícitas. 

Desde cannabis, até psilocibina e ketamina, por exemplo, já tiveram seus potenciais terapêuticos estudados e aplicados no século passado, mas governos ao redor do mundo, sobretudo o norte-americano (propositor da Guerra às Drogas), optaram por proibir essas substâncias, pois defendia-se que seus usos representavam uma ameaça ao bem-estar da nação (era a informação disseminada pelo governo).

Da medicina, essas substâncias foram parar na contracultura, eram vistas como instrumentos anti-establishment. O presidente Richard Nixon, criador da Guerra às Drogas, acreditava que o uso dessas substâncias, que causavam expansão da mente, estavam impedindo os cidadãos norte-americanos de irem lutar na Guerra do Vietnã. De fato, ninguém em sã consciência via propósito nessa guerra. Com a expansão das ideias, ficava claro que era inconsistente se voluntariar para morrer em uma guerra que não tinha sentido para a sociedade. (Para quem quiser saber mais sobre o tema, recomendamos o documentário ”Fantastic Fungi”, disponível na Netflix). 

Impactos do proibicionismo na medicina

A questão é: esse panorama, que teve início nos Estados Unidos, levou à proibição de diversas substâncias à nível global. A Organização das Nações Unidas passou a classificar substâncias terapêuticas como drogas ilícitas. Pessoas que precisam dessas substâncias como medicina ficaram incapazes de ter acesso, pelo menos de maneira legal.

Buscando explorar mais a fundo essa questão, uma matéria da Vice UK explora como a Guerra às Drogas impacta o mundo medicinal, causando sofrimento para diversos pacientes. 

⁣O que se observa é que essa guerra, na verdade, foi sobre algumas drogas. As substâncias que, hoje, são ilegais sob regime internacional de controle de drogas, como a cannabis e a psilocibina, por exemplo, na verdade eram usadas como medicina, sem efeitos colaterais graves, sem índice de overdoses. Ao passo que substâncias opióides se tornaram amplamente utilizadas e prescritas pela comunidade médica. 

Portanto, a questão que se coloca é: qual é a linha que separa substâncias ilícitas das medicinais?

Utilizando o caso da cannabis, essa planta já era utiilzada de forma terapêutica desde 2700 a.C., mas tudo mudou com a proibição, que se deu década de 1960. Apesar de ter seus potenciais medicinais utilizados por 4.500 anos, há pouco mais de 50 anos foi difundido que essa planta não possuía aplicação medicinal. 

Médicos tiveram que parar de prescrever cannabis, por mais que acreditassem nos seus potenciais terapêuticos, por conta de uma proibição que teve fundamentos racistas e econômicos (afinal, é muito mais lucrativo para a indústria farmacêutica que sejam prescritos diversos medicamentos, inclusive opióides, que viciam e geram uma demanda constante, do que uma planta). 

Mas, em 1996, a Califórnia resolveu ir contra o proibicionismo e legalizou a cannabis para fins medicinais. O Canadá se tornou o primeiro país a regulamentar a planta para essa finalidade, em 2001. Cada vez mais, vemos mais países e estados legalizando a cannabis, mas o progresso é vagaroso, a exemplo do Brasil. 

Milhões de pacientes ao redor do mundo têm que correr riscos e usar a cannabis de maneira ilegal para conseguir ter acesso ao tratamento adequado e não se submeter a tratamentos tradicionais, que muitas vezes não são eficazes. 

Medicamentos legais e dependência

Um outro problema atrelado a isso são os medicamentos que viciam, mas são legais, que estão levando a uma crise de saúde pública sem precedentes. 

Um exemplo disso são medicamentos benzodiazepínicos, como o calmante Valium e Xanax, utilizados para ansiedade, insônia e até para abuso de álcool. Lícitos e amplamente prescritos pela comunidade médica nas décadas passadas, podem levar à overdose. 

Apesar da prescrição de tais medicamentos ter diminuído, o vício por opióides e benzodiazepínicos se manteve, fazendo as pessoas recorrem ao mercado ilegal. O maior problema é que essas drogas, obtidas ilegalmente (pois a prescrição se tornou restrita) contém outras substâncias mais viciantes e mais letais. 

Em última análise, a Guerra às Drogas tem fomentado a crise de opióides em diversos países, levando a saúde pública a níveis críticos. Se, desde o princípio, substâncias naturais, como a cannabis e psilocibina, pudessem ter sido utilizadas e estudadas na área medicinal, provavelmente medicamentos com efeitos adversos graves não precisariam ter tido ampla prescrição, evitando o vício e risco de overdose de pacientes que se tornam dependentes destes medicamentos. 

Ou seja: com o proibicionismo, vidas estão sendo postas em risco. Enquanto uma planta que apresenta potenciais terapêuticos comprovados, sem efeitos colaterais graves (se utilizada de maneira adequada) continua ilegal em muitos países.  

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