Muito tem se ouvido falar sobre a ”renascença psicodélica”. 

Cogumelos, peiote e até mesmo a maconha (para citar apenas alguns) estão saindo da contracultura diretamente para o interesse da mídia, aceitação popular e, sobretudo, para a área medicinal. 

Especialistas até consideram os psicodélicos e enteógenos como ”O novo mundo da psiquiatria/psicologia”. Usar ”produtos da natureza” em substituição de medicamentos tradicionais é a nova tendência dessa área. 

Os usos de enteógenos e substâncias psicoativas para tratamentos psicológicos estão passando por uma re-descoberta e têm ganhado proeminência em diversos estudos e no mercado global.

”Boom” psicodélico

Uma pesquisa, divulgada pela PR Newswire, aponta que a aceitação geral em relação a esses tipos de tratamentos está crescendo rapidamente, bem como o mercado para essas substâncias. 

Há quem diga que os psicodélicos são a ”nova cannabis”, relacionando o ”boom” dessas substâncias na área medicinal, bem como sua consequente regulamentação, com o movimento similar ao que aconteceu com a cannabis (primeiro vimos diversos estudos surgindo em relação aos seus benefícios, depois a regulamentação e agora maior aceitação e ampla utilização). 

A pesquisa ainda mostra que esse aumento de atenção a essas substâncias são explicados, principalmente, pelo aumento de índices de depressão mundialmente e o aumento de autorizações para desenvolver produtos e para usar essas substâncias com finalidade medicinal. 

Tudo isso, claro, foi impulsionado por novos estudos sobre suas aplicações e benefícios, que se mostram eficazes em diversos tratamentos, e o melhor: até onde se sabe, não apresentam efeitos colaterais graves, se utilizados com acompanhamento e de maneira adequada ao objetivo que se quer alcançar com o tratamento. 

Com toda essa atenção que os psicodélicos têm ganhado, essas substâncias estão impulsionando o mercado. Segundo dados do Cannacord Genuity (banco de investimentos), a oportunidade potencial de mercado para psicodélicos chega a US$ 100 bilhões globalmente.

Dessa forma, órgãos regulatórios têm agido junto a especialistas e pesquisadores para tentar simplificar a obtenção dessas substâncias (muitas delas ainda proibidas) e facilitar que pacientes tenham acesso a esse tratamento eficaz. 

Natureza ilegal

A maioria dos enteógenos, psicodélicos e alucinógenos (segundo classificação de especialistas) podem ser obtidos facilmente da natureza e parece simples o acesso. 

Mas, na realidade, a maioria dessas substâncias, como mescalina, psilocibina, DMT e cannabis, por exemplo, são consideradas ilícitas sob o regime internacional de controle de drogas, estando listadas como controladas ou proibidas na Convenção Única sobre Drogas e a Convenção sobre drogas Psicotrópicas, ambas da ONU.

Assim, hoje, na maioria dos territórios globais, boa parte dessas substâncias enfrentam restrições, apesar de estarem disponíveis livremente na natureza.

Porém, cada país, estado, província tem autonomia em regulamentar tais substâncias como achar mais conveniente, mesmo frente às recomendações contrárias da ONU. 

Dessa forma, com mais estudos comprovando os benefícios desses ”produtos naturais”, diversos lugares têm optado por regulamentar e autorizar o acesso. 

Nos Estados Unidos, Oregon já legalizou a psilocibina. Califórnia e Massachusetts estão fazendo reformas em suas políticas para regulamentar os usos dos psicodélicos e já existem até organizações atuando nas esferas governamentais pela ampla legalização dos psicodélicos e enteógenos, como é o caso da ”Decriminalize Nature”.

No Brasil, a ayahuasca é regulamentada para uso ritualístico, mas o DMT (princípio ativo da mesma) é ilegal. A psilocibina é considerada substância controlada e a cannabis ilícita. 

Apesar disso, parecem estar ganhando mais adeptos e, com mais pesquisas, espera-se que, em um futuro próximo, todos reconheçam os potenciais dessas substâncias. 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui


Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.