Hoje, dia 05 de maio de 2021, a Favela do Jacarezinho, zona Norte do Rio de Janeiro, foi transformada em cenário de guerra. Em operação das polícias Civil e Militar, os celulares confiscados, sob alegação de compartilhamento de informações com traficantes, não chegam perto do terror e da chacina que está sendo praticada na comunidade. 

Fonte: Ariel Freitas

Até a finalização desta matéria, pelo menos 30 pessoas foram mortas pela polícia, segundo informações relatadas por moradores da comunidade Favela do Jacarezinho. Um policial também foi vítima da Operação, mas o número real de mortos ainda é indefinido. 

Apenas nos dois primeiros meses do ano de 2021, nove chacinas foram praticadas pela polícia, no Rio de Janeiro, segundo a Rede de Observatórios de Segurança. A Operação de hoje marcou o Rio de Janeiro como a mais letal da história do Estado.

Através das redes sociais, as informações que têm sido divulgadas apresentam relatos de invasão às residências, confisco de aparelhos celulares e intensos tiroteios. Pela manhã, pelo menos três pessoas ficaram feridas enquanto iam ao trabalho. Atingidas dentro da estação de metrô, uma das vítimas veio a óbito. 

Corpos ao chão, sangue, invasão, abuso de autoridade policial. Essa é a realidade de uma comunidade atacada pela incompetência do Estado. Entre os números divulgados, há uma forte defasagem. São contabilizadas muitas outras mortes, além das divulgadas.

“Tem muita gente morta”, diz uma representante, que teme ser identificada. “As famílias estão todas desesperadas, tentando chegar perto dos corpos, e os policiais não deixam”, relata outra mulher, também em anonimato, em reportagem do G1.

A operação 

A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) comenta na reportagem: “Recebemos a denúncia de que, depois da operação no Jacarezinho nesta manhã, um corpo de uma pessoa negra foi colocado numa cadeira com um dos dedos na boca para a população ver. Isso é BARBÁRIE! Não há palavras para descrever essa situação. Respeitem a favela e a decisão do STF!”.

Desde junho do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu operações em favelas durante a pandemia. A decisão permite ações apenas em “hipóteses absolutamente excepcionais” e com o aval do Ministério Público. Nesse período, o índice de mortes da população da periferia do Rio diminuiu em pelo menos 70%.

Em nota, a Polícia Civil disse que essa é uma operação contra o crime organizado. Segundo a mesma, o Ministério Público foi comunicado sobre a ação. O MP ainda não se posicionou. 

Guerra às Drogas 

O cotidiano das periferias brasileiras é tão intenso quanto à realidade de países que enfrentam a Guerra Civil no Oriente Médio. Esse filme de terror se repete, reflexo do que o Estado denomina como guerra às drogas.

A necropolítica do Estado brasileiro promove não apenas a falta de proteção e amparo à população periférica, como também oferece o terror e o ataque. Limitando o acesso a recursos básicos de sobrevivência, transformando regiões residenciais em zonas de guerra, agrava ainda mais o caos, promovido por essas ações policiais que muito além do terror e do perigo, ofertam morte à população. 

Com argumentos embasados na “Guerra às drogas” e visando por fim no tráfico, o maior questionamento vem ao tentar compreender quem são os verdadeiros vilões nessa batalha.

A chacina do Jacarezinho é parte de uma política genocida da população pobre e negra do Brasil. Ilegal, a operação também pode ser classificada como massacre. Além das mortes, o medo promovido marca mais uma vez a história brasileira. 

Até quando as pessoas vão ser vítimas de uma Guerra que já foi perdida? 

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