As substâncias psicodélicas, como psilocibina (encontrada em alguns cogumelos), ketamina, MDMA e DMT (encontrado na ayahuasca e peiote), entre outras, não proporcionam apenas estados alterados de consciência, mas também têm se mostrado promissoras em tratamentos psicológicos para depressão, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), ansiedade, dependência alcoólica, dor crônica, entre outros.

O potencial medicinal dos psicodélicos

Essa semana foi comemorado o dia do LSD (19/04). O ácido lisérgico foi descoberto em 1936, sintetizado a partir de um fungo por Albert Hofmann, cientista suíço que trabalhava para a farmacêutica Sandoz. Hoffmann tinha como objetivo sintetizar um estimulante circulatório e respiratório, mas depois de ter vivenciado uma experiência psicodélica com o LSD, seus usos foram expandidos.

O uso recreativo dos psicodélicos se espalhou, principalmente com o movimento da contracultura na década de 1960 e, com isso, foram proibidos. Assim, não só o LSD passou de potencial medicamento à droga: ketamina, MDMA e cogumelos também passaram a ser considerados apenas drogas recreativas, proibidas sob a Convenção Internacional de Drogas da ONU.

Entretanto, recentemente, cada vez mais estudos têm revelado o potencial medicinal que essas substâncias apresentam. 

O MDMA, por exemplo, tem sido usado de maneira satisfatória em estudos para tratamento do TEPT. A psilocibina, componente ativo de cogumelos como o Cubensis, tem apresentado efeitos significativos no tratamento de ansiedade e depressão. A ketamina também se mostra extremamente promissora para problemas de ansiedade e TEPT. O DMT, por sua vez, utilizado em rituais sagrados no Brasil, apresenta potencial terapêutico para tratamentos com dependência química.

Tratamento alternativo

É importante destacar que essas substâncias têm sido estudadas e aplicadas em pacientes em psicoterapia assistida, ou seja, é realizada a microdosagem ou dosagem correta da substância com acompanhamento da psicoterapia. Para o tratamento ser efetivo e seguro, é necessário um ambiente adequado, com a presença de profissionais capacitados, e a administração da substância é feita de maneira controlada.

A terapia psicodélica assistida, como é chamada, se mostra uma alternativa de tratamento promissora para distúrbios de saúde mental, como TEPT, transtorno depressivo, transtorno por uso de químicos (como álcool e outras drogas) e até mesmo anorexia nervosa. 

Em entrevista, o Professor de psiquiatria da Johns Hopkins School of Medicine, Frederick Streeter Barrett, afirma que ”o modelo atual para tratar problemas de ansiedade e depressão não são muito eficientes. Pacientes tomam pílulas todos os dias, por anos, e esses medicamentos não apresentam apenas efeitos colaterais desagradáveis, mas muitas vezes não funcionam. Porém, com a terapia psicodélica assistida existe um potencial de realmente mudar a vida de uma pessoa com apenas uma ou duas sessões, porque você chega na fonte do sofrimento”. 

Outro fator positivo dessas substâncias é que não causam tolerância química nem dependência, quando administradas da maneira adequada, com acompanhamento terapêutico. Ou seja, os psicodélicos se mostram como uma boa alternativas aos tratamentos com medicamentos tradicionais. 

Como funcionam

As pesquisas com o uso de substâncias psicodélicas para tratamentos psicológicos focam na neuroplasticidade do cérebro, isto é, nosso cérebro tem uma incrível capacidade de se ”auto-curar” e as terapias com psicodélicos ajudam nesse processo.  

Estudos mostram que os psicodélicos agem sobre os receptores de serotonina, o neurotransmissor que afeta o humor, e ajudam a quebrar o ciclo mental que é sintomático às condições como depressão, ansiedade e vício, permitindo que o cérebro faça novas conexões (o que é possível graças à neuroplasticidade do cérebro).  

A ideia por trás da terapia psicodélica é que o estado receptivo que a substância proporciona abre a possibilidade de novas ideias sobre como pensar a respeito do passado e do futuro, tirando o paciente de padrões de pensamento negativos. Com isso, essas novas ideias possibilitadas pelos psicodélicos são reforçadas com a ajuda da terapia. 

De maneira geral, os psicodélicos parecem estar abrindo novos caminhos dentro da medicina e podemos esperar uma revolução psicodélica nessa área!

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