Pode parecer brincadeira, mas o preconceito contra flores existe também no meio médico. E já que a maconha é a aposta do século, o diálogo sobre suas propriedades terapêuticas, bem como a ascensão do mercado, tem por responsabilidade o combate à desinformação e ao preconceito.  

Maconha medicinal

Diante da crescente demanda pela viabilização de medicamentos e produtos de origem canábica, caminhos regulatórios foram sutilmente criados para possibilitar o acesso dos pacientes. 

Por se tratar de um processo recente, que ganha cada vez mais forma e força, sua popularização tem aumentado na mesma intensidade, transformando assim a realidade de muitos pacientes. Desde tratamentos para ansiedade, até a recuperação da neuroplasticidade em casos de degeneração do tecido cerebral, o canabidiol tem transformado muitas realidades. 

Um exemplo primordial do desenvolvimento desses espaços de amparo às demandas é a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 327, que dispõe sobre a concessão da Autorização Sanitária para processos relacionados a produtos de Cannabis para fins medicinais no Brasil.  

Publicada em 9 de dezembro de 2019 pela Anvisa, a RDC 327 deu início a uma verdadeira corrida contra o tempo, ao compreender que além da beneficência terapêutica oferecida ao paciente, foram estabelecidos os requisitos para autorização, fabricação, importação, dispensação, controle, dentre outros para os produtos de Cannabis. Esses processos, por sua vez, envolvem segmentos que vão além do espaço clínico e englobam profissionais de diversos setores. 

Cannabis no meio clínico

Se engana quem acredita que o potencial da cannabis desperta somente a atenção do “maconheiro”. Prova disso é a influência de multinacionais, investidores e grandes capitais nas negociações, além de diversos setores com a presença de profissionais que não fazem o uso de cannabis. O meio clínico é exemplo disso, com diversos médicos que prescrevem cannabis medicinal, porém não fazem o uso, seja terapêutico, seja recreacional. 

Isso representa, em partes, uma tendência muito positiva, ao considerar a popularização do assunto e os benefícios aos pacientes. Por outro lado, a representação canábica ganha um pódio que passa a classificar o que é ou não adequado quando o assunto é cannabis. 

Conversamos com Pedro Melo Filho, ortopedista e especialista em cannabis medicinal pela USP, fundador da Clínica CBDoctors. Canabista desde os 19 anos, aos 31 tem realizado o sonho de muitas pessoas que encontram no CBD a salvação para diversas comorbidades que não alcançam eficiência com tratamentos fármacos.

A CBDoctors é uma clínica integrativa com especialização em aplicação medicinal da cannabis, e desde a abertura da agenda em fevereiro de 2020, tem atendido mais de 500 pacientes. Com perfis de pacientes que variam entre homens de 18 a 35 anos, que já conheciam as propriedades terapêuticas e por isso buscaram atendimento, até senhoras de 40 a 60 anos, que já não obtém mais eficácia em tratamentos convencionais, a clínica oferece o suporte completo para aquisição e tratamento de cada paciente. 

Como Diretor Técnico da clínica e canabista por força do destino, ao compartilhar em seu perfil virtual imagens de flores e derivados, ou conteúdos que continham elementos que não se limitam ao óleo de CBD, passou por alguns dilemas ao se deparar com a represália do meio médico.

Para ele, “A informação é a arma para quebrar o preconceito. Somente assim vamos chegar até pacientes que não tem acesso, ou que tenham preconceito e consigam alcançar qualidade de vida” ao se referir sobre as críticas recebidas. 

Essa tendência representa, em uma análise breve e superficial, que seja pela falta de informação, seja pelo excesso de preconceito, a cannabis ainda enfrenta uma barreira social. 

É importante ressaltar que o CBD vem da planta cannabis. Suas flores, derivados e afins são sim parte do mesmo produto, antes ou após o processamento de extração. Frente aos benefícios descobertos diariamente sobre o uso do canabidiol, o potencial financeiro para as indústrias, bem como tantos outros fatores de ganho coletivo, a abertura do diálogo deve ser incitada para assim promover a desmistificação de seus usos. 

Informação é a chave

O preconceito que começou em casa, quando decidiu que seria a cannabis sua causa de vida, e posteriormente, no meio médico, já atuando na causa canábica, fizeram com que Pedro se fortalecesse o suficiente para entender que sim, existem barreiras e um grande caminho a ser trilhado. Porém, aprendeu também, que nenhuma barreira é resistente o suficiente, diante da informação e do diálogo. 

E você, já enfrentou algum preconceito ao tentar dialogar sobre essa planta que é a posta do século? Seja qual for o meio, o segredo é manter a calma e amparar qualquer argumento com informações. Somente assim o achismo e toda construção histórico-cultural negativa serão combatidas para alcançarmos dias cada vez mais verdes. 

Pra quem busca a prescrição de CBD, basta entrar nas redes sociais ou site da Clínica CBDoctors e preencher um formulário. Suas informações serão analisadas e a clínica entrará em contato para agendamento da consulta virtual. Assim é dado o início do seu tratamento. Os trâmites legais de exportação também ficam sob responsabilidade da equipe multidisciplinar da CBDoctors, e em poucos dias o medicamento está em suas mãos. 

*Conteúdo e entrevista por Rafaela Rafagnin.

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