É inegável que os governos de países ao redor do globo estão mudando suas políticas de saúde, de drogas, assim como desenvolvendo novas política sociais. Porém, a nível mundial a maconha ainda carrega um pesado estigma em sociedades diversas.

Um exemplo de como estamos em uma época de mudanças francas, mas também, de paradoxos, é a pena capital por porte de drogas. Ao mesmo tempo em que a maconha está sendo regulada nas Américas do Sul e do Norte, um homem foi condenado à morte por enforcamento em Cingapura, e na última sexta-feira, 18 de novembro, foi executado pelo governo cingapurano após ser pego em posse de 92 onças de maconha, aproximadamente 2,6kg.

O nigeriano Chijioke Stephen Obioha é formado em química industrial e viajou ao país asiático para tentar uma vaga em um time de futebol. Em 2007, foi pego com os 2,6kg de maconha e desde 2008 sua sentença foi estabelecida. Apesar do apelo de órgãos como a Anistia Internacional e da ONU, pedidos de clemência por parte de advogados, e de toda comoção gerada pelo caso, o nigeriano, que se declarava inocente, foi executado depois de um tempo de espera de 8 anos. Entre processos, julgamentos e análise de recursos, o caso se tornou um dos mais longos da história do país.

A familía de Obioha ajudou tanto quanto pôde, financeira e psicologicamente, apesar da dificuldade de entrar em Cingapura e da distância do parente. Quando os recursos acabaram, as chances de uma desfecho positivo para o condenado praticamente desapareceram.

É preciso entender que lutar pela legalização da cannabis é mais do que lutar pelo direito de fumar um baseado. Quando a proibição se mostra pior do que o consumo pessoal, é preciso dialogar e quebrar estigmas e tabus que levam casos como o de Obioha. Sua morte não significará um avanço na segurança da população, não significará uma sociedade mais segura e protegida. Sua morte apenas engordou o número, já exorbitante, de pessoas que foram vítimas da guerra às drogas.

Outros países asiáticos, como as Filipinas, também se posicionam de maneira similar a de Cingapura. O presidente filiino Rodrigo Duterte declarou em julho deste ano que usuários são ‘a escória da sociedade’ e que ‘matará a todos envolvidos com entorpecentes’. Posições como tal mostram como a guerra às drogas não é um problema local, mas sim, mundial, e portanto, mundialmente ineficaz.

Debater, dialogar e mostrar pontos de vista alternativos para acabar com esse tipo de condenação e com outras práticas mais abusivas e invasivas do que a fumaça de um cigarro de maconha, não é ‘brisa de maconheiro’, mas sim um dever cívico para que as nações de todos os continentes possam conseguir de fato, evoluir em conjunto e com decência.

Fontes: https://www.naij.com/1051799-singapore-rejects-plea-parent-execute-nigerian-drug-trafficking-friday.html

http://hightimes.com/culture/radical-rant-a-man-is-being-hanged-for-marijuana-today/

https://www.theguardian.com/world/2016/jul/01/philippines-president-rodrigo-duterte-urges-people-to-kill-drug-addicts

Imagens: The guardian; merryjane.com/;

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